O exercício de parar de se comparar com outras pessoas


Blog / quinta-feira, maio 25th, 2017

“When we can let go of what other people think and own our story, we gain access to our worthiness — the feeling that we are enough just as we are and that we are worthy of love and belonging.”― Brené Brown, The Gifts of Imperfection

Vou começar com um argumento bem clichê mas verdadeiro! As redes sociais nos colocam em contato diário com imagens, vídeos e textos de amigos, conhecidos e “celebridades” em lugares perfeitos, vivendo experiências incríveis ou com o “amor de suas vidas”.

E toda essa exposição dos melhores momentos da vida alheia pode ser inspirador ou pode gerar sentimentos negativos como inveja ou insatisfação com sua própria vida.

De uma forma ou de outra, ambas as situações inevitavelmente nos coloca em posição de comparação e de preocupação.

Nós nos preocupamos demais porque queremos ser tão inspiradores quanto aqueles que nos inspiram. Ou nos preocupamos demais porque os outros são “melhores” do que jamais seremos.

Nos últimos anos, quando me descobri mais e mais em contato com as redes sociais, comecei a perceber esse tipo de sentimento florescendo.

Passei a ver as experiências das outras pessoas como mais interessantes do que qualquer experiência minha, o que me deixava insatisfeita e preocupada com minha própria capacidade.

E não somente através das redes sociais, esse tipo de sentimento pode ser algo que você sente ao conviver com colegas de trabalho, amigos e familiares também.

Tempo off

Existe uma palavra em inglês que resume bem a minha sensação: overwhelmed. Eu estava saturada. E foi nesse momento de insatisfação que eu decidi tirar um tempo “off”, um tempo longe das redes sociais.

Eu não sou uma pessimista quanto às redes sociais e tecnologias de informação. Longe disso!

Acredito bastante no potencial dessas ferramentas para melhorar a nossa comunicação e aprendizado.

Mas entendo que é preciso algum cuidado, especialmente quando você passa a se sentir incomodado ou cansado ao utilizá-las. Ou você se sente muito dependente delas.

Foi então que eu desinstalei o Facebook, Messenger e Instagram do meu celular. Deixei de gastar tanto tempo trocando mensagens no Whatsapp, utilizando apenas para troca de mensagens importantes.

Sem esses aplicativos, eu deixei de entrar muitas vezes ao dia no Facebook e Instagram, o que não só me economizou um tempo precioso como me deu um pouco de paz em relação ao bombardeio de informações, opiniões e vidas alheias.

Foi um tempo de reflexão, algo essencial para eu desenvolver mais autoconhecimento e autoestima que não estava na validação por “likes” e comentários e muito menos na tentativa de me equiparar as experiências alheias.

Não acho que esse seja o caminho para todo mundo. Mas se você se sente assim, é preciso parar para analisar um pouco mais de onde essa preocupação e comparação está vindo.

Identidade diversificada e vulnerabilidade

Você provavelmente já ouviu falar da Brene Brown e de sua palestra no Ted Talk. Se sim ou não, vamos parar agora para assistir ou relembrar!

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Eu gostei tanto dessa palestra que cheguei a comprar o seu livro original sobre vulnerabilidade, “Daring Greatly”.

Esse é um livro importante para quem tem dificuldade de fazer as coisas acontecerem por não sentirem que são boas o suficiente. E acredito que quem está numa posição de comparação excessiva com os outros precisa começar a entender que elas também são merecedoras de boas experiências.

“Courage starts with showing up and letting ourselves be seen.”― Brené Brown, Daring Greatly

Outro fator que considero chave para evitar precupações e comparações é começar a diversificar sua identidade.

Isso quer dizer que você não vai deixar que apenas uma coisa defina a sua vida.

Descubra diversas áreas importantes para você e para sua autoestima. Cuide da sua carreira, dos seus relacionamentos, vida social, esportes, lado artístico, trabalho voluntário…

Ao fortalecer diversas áreas da sua vida com coisas que você realmente se importa, você não tem espaços vazios para se preocupar.

E se algo que você se importa não der certo, você não se sentirá emocionalmente vulnerável. É importante acreditar que você merece boas experiências e parar de se comparar ou procurar validações.

Fortaleça suas fortalezas, nem precisa dar um tempo nas redes sociais. Compartilhe por você e porque você se importa, e não como forma de validação.