Minimalismo, slow fashion e veganismo: por que eles me atraem tanto

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minimalismo, slow fashion, veganismo

Nós crescemos em uma redoma de coisas e com um incentivo quase filosófico pelo consumo e pelo querer, querer, querer.

Parece até algo natural, querer ganhar coisas no aniversário, no natal, querer ter dinheiro para comprar coisas o tempo todo…

Mas, será que nós precisamos mesmo ser assim? E será que queremos isso de verdade?

Eu penso que não necessariamente. Muitas vezes, compramos e consumimos sem precisar, acumulando um número de coisas que não tem nenhum valor.

Eu ando pensando muito sobre o minimalismo já faz uns anos. E gosto de pensar que eu sempre fui uma pessoa que não tem um desejo pelo consumo tão aflorado como, por exemplo, minha mãe, que é uma famigerada acumuladora.

Veganismo

O vegetarianismo foi o meu primeiro passo depois que surgiu o estalo: cara, eu como animais! Por que diabos? 

E o veganismo foi uma consequência: comer e utilizar qualquer coisa de origem animal ou que tenha sido testado em animal incentiva esse tipo de prática.

Depois que decidi me tornar vegetariana, primeiro em 2014, e depois vegana (on going desde 2015), a minha relação com o consumo ficou ainda mais evidente.

Sinto que meu guarda-roupa é recheado de roupas de baixa qualidade “made in [insira aqui um país pobre]” das grandes lojas de departamento. Isso me incomoda muito porque eu sei que não foram feitas respeitando o ser humano e o planeta. 

Por isso, meu próximo passo é procurar roupas e produtos que sejam não só veganos, mas de marcas que proponham um mercado mais justo para o meio-ambiente e os trabalhadores, o que é chamado de Slow Fashion.

Slow Fashion

Recentemente tenho pesquisado muito sobre esse tipo de alternativa. E acredite, é possível sim comprar de maneira mais ética, de empresas que tem como filosofia respeitar a vida dos animais, o melhor uso dos recursos naturais e valorização da mão de obra. 

Das minhas pesquisas, listo 6 marcas de roupas, sapatos, acessórios e cosméticos brasileiros que tem como propostas um consumo mais consciente. 

  1. Urban Flowers
  2. Mais Alma
  3. Ahimsa
  4. Vegano Shoes
  5. Insecta Shoes
  6. Lola Cosmetics

À primeira vista, o consumo “ético” parece mais caro. Mas se você alinhar o consumo ético com o minimalismo, pense bem. Você vai gastar mais ou menos no final das contas?

De quantas blusas e calças e vestidos e sapatos você precisa para ser feliz?

É muito louco pensar nisso. Será que procuramos nas coisas uma razão para a felicidade? E será que a felicidade está mesmo no consumo?

Eu gosto de pensar que não. Então, eu não quero trabalhar e acumular capital para ser consumida pelas coisas que consumo e por dívidas.

Eu quero viver. E as coisas que consumo não apenas isso, coisas. Por que eu preciso pagar 50 reais numa blusa nova da Forever 21 (ou em outras marcas de departamento com acusações de trabalho escravo) que vai se desmanchar ou sair de moda na próxima semana, me fazendo querer comprar outra? 

Eu me faço esse tipo de pergunta porque realmente me incomoda a ideia de perder tanto tempo, dinheiro, vidas e recursos naturais com essa busca maluca pela roupa mais barata e na moda que eu conseguir encontrar.

Quando nós pensamos no que queremos para além das coisas, coisas em comum sobram: felicidade, liberdade, saúde, amor, satisfação, harmonia.

Tudo isso são o que nós desejamos que estão além das coisas. Então, por que acabamos com nossa vida em busca de coisas?

Será que uma casa maior cheia de objeto que você não usa realmente vai gerar em você o sentimento de felicidade, liberdade, saúde, amor, satisfação e harmonia?

A gente sabe que não. Todos esses sentimentos que almejamos vem de dentro e da nossa relação com os outros. Vem de vivermos uma vida de acordo com nossos valores mais fundamentais.

Você já parou para pensar nos seus valores fundamentais? E será que você está vivendo de acordo com eles? 

Eu tenho um valor que é muito claro para mim: liberdade.

A liberdade é um valor que considero fundamental para mim e para todos. É por isso que me tornar vegana foi uma das melhores decisões da minha vida.

O veganismo quer que nenhum ser seja escravizado. Não importa o motivo, ninguém merece ou quer perder a vida.

Por que acabamos com a vida dos animais, sem nenhum motivo? Por que tiramos a liberdade dos animais, por que nos sentimos no direito de acabar com a vida, a liberdade de seres inocentes?  

Nada do que você responder justifica. NADA.

O minimalismo, por sua vez, também vem do meu valor fundamental de liberdade. Como eu quero ser uma pessoa livre se estou presa ao meu celular, ao meu computador, às minhas roupas, à carro, casa, sapatos, bugingangas que se acumulam e mal são usadas?

Eu não preciso e não quero tudo isso. Eu quero poder viver sem que tenha um emaranhado de objetos presos a mim. Eu não quero uma casa grande cheia de coisas e um ou dois carros gigantes na garagem.

Eu sei que pensar assim por si só já é um privilégio.

Em um mundo em que a maioria das pessoas mal tem o que comer, eu estou aqui negando o meu privilégio de comprar.

Mas é justamente aí que tudo muda. Nós podemos mudar o status quo que nos diz que precisamos comprar. Podemos desse modo mudar as regras do jogo e criar uma maneira de viver que seja menos desgastante para nós e para todos.

Eu me sinto feliz de considerar o minimalismo antes mesmo de eu me prender a ideia de “vida adulta” que aspira por tudo isso.

Talvez seja geracional,  já que eu conheço muitos amigos que também não tem a menor vontade de acumular coisas. Mas o que eu sei? Isso são só considerações.

Parar de consumir sem pensar

E por isso, um dos meus objetivos de vida hoje é parar de consumir mindless. Eu quero ter consciência do que eu estou comprando e para que eu estou comprando.

Mas isso também se aplica ao que eu como e inclusive o que eu consumo virtualmente (informação, entretenimento, distração).

Cansei de olhar em volta e ver apenas coisas. Coisas sem sentido que não me trazem nada além de uma sensação de prisão. Tudo o que é “meu”, tudo o que está ligado a mim.

Eu, que sempre prezei pela liberdade, olho em volta e não vejo nada além de coisas.

É agoniante, é até desesperador. A mudança vem de dentro, e todos os dias, estou trabalhando para me libertar de tudo isso e ser uma pessoa mais livre, menos dependente do acúmulo de bens-materiais e mais leve para explorar o mundo.

É um ato consciente em busca de viver uma vida de acordo com meus valores. Às vezes é importante parar e refletir sobre o que parece “natural”.

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