Lixo Zero: Minhas falhas e conquistas na busca pela diminuição do meu lixo


Blog / terça-feira, fevereiro 26th, 2019

Quando me mudei para Bruxelas e para um pequeno, mas completo, quarto de estudante, ou como chamam aqui “kot”, comecei a me importar com meu lixo. Antes, sabia da necessidade de reciclar, e só. Nunca havia parado para pensar em como eu posso recusar e reduzir antes de reciclar.

Tudo começou com minha busca por como lidar com meu lixo por aqui. Quais sacos de lixo comprar e como separar meu lixo. Parar para pensar sobre isso me abriu a cabeça para repensar as minhas formas de consumo de maneira mais profunda do que como preparar meu lixo para reciclagem.

Pesquisando sobre isso, eu encontrei o termo “zero waste”, ou em português, lixo zero. Esse termo é, claro, bem utópico. É impossível viver uma vida em nossa sociedade sem desperdício. Utilizamos água, energia, alimentos e produtos industrializados, utilizamos meios de transporte, saneamento básico, etc. É impossível mesmo.

Mas isso não quer dizer que não temos o poder de mudar algumas ações que levam esse objetivo em consideração. Afinal, enquanto consumidores, temos o poder de demanda. Se mais pessoas demandam por um jeito novo de consumir, mais as empresas de produtos e serviços precisam repensar o que elas nos oferecem. É a mesma forma com o veganismo.

Fazendo um balanço de como tem sido esses meses tentando diminuir meu impacto, eu tive sucessos e muitos erros. Isso é normal. Ao mesmo tempo em que eu almejo uma vida cada vez mais em sintonia com esses valores, eu cometo erros também, mas não deixo que essas erros destruam o tipo de vida que desejo para mim.

3 coisas que mudei para melhor depois de considerar uma vida “zero waste”:

  1. Plásticos e papéis de “uso único” e descartável

Já parou para pensar na quantidade de papéis e plásticos descartáveis que você usa praticamente todos os dias?

Sacolinhas de supermercado, copos de café, copinhos de água no escritório, garrafinhas de refrigerantes e água, post-its, guardanapos de papel, talheres de plásticos, canudinhos, etc etc.

São tantos os exemplos de produtos descartáveis que usamos. Desde que tomei consciência do meu uso, tenho trabalhado todos os dias para evitar esse tipo de desperdício. Uma das primeiras coisas que fiz foi comprar sacolinhas de algodão reutilizáveis para poder fazer compras usando sempre essas sacolinhas. Lavar, usar, e usar de novo e de novo, e lavar, e usar de novo… Essa prática me economiza sacolinhas e dinheiro, porque compro produtos alimentícios soltos e frescos, ao invés de embalados naqueles plásticos horríveis.

Nada de sacolinhas plásticas. Outra coisa essencial foi comprar uma garrafinha para levar minha água e um copo de café para comprar café na rua, caso tenha necessidade.

  1. Produtos e roupas novas

Pensar sobre o impacto do meu consumo me fez também considerar comprar produtos, roupas e sapatos de segunda mão, ao invés de novos. Desde que me mudei para a Europa, comprei várias coisas de segunda mão, em lojas, online ou em mercados de pulga.

Comprei uma bolsa e uma mochila de segunda mão. Comprei uma bota, e algumas blusas e calça jeans também, todos de segunda mão. Eu não compro mais roupa por comprar, mesmo de segunda mão. Realmente paro par pensar se realmente vou precisar daquele item, ou se só quero comprar ou ir numa loja para me distrair.

Comprei também um forninho elétrico e um aquecedor de água de estudantes, e ganhei de presente uma mesinha e uns pratos da Ikea de outros estudantes.

No meu semestre na Áustria comprei uma bicicleta de segunda mão. E quando fiz estágio em Ghent, na Bélgica, durante o verão, também comprei. E todas foram vendidas para outros estudantes depois. Além de economizar dinheiro, itens de segunda mão voltam para terceira, ou quartas mãos depois que você as utiliza!

  1. Produtos de limpeza e higiene

Nós não precisamos comprar um produto para cada coisa que queremos limpar. Um produto multiuso já serve para praticamene tudo o que você deseja limpar na sua casa.

Alternativas como bicarbonato de sódio e vinagre também podem ser usados para limpeza sem que você tenha que comprar mil e um produtos.

Um dos melhores investimentos que fiz foi o castille soap. É um sabonete multiuso que pode ser usado na casa e até no corpo e no cabelo.

Deixei de comprar sabonetes líquidos também, e só uso sabonete de de barra. Duram mais, são mais baratos, e normalmente vem embalados em caixinhas de papel, recicláveis.

3 problemas que ainda tenho ao tentar diminuir meu impacto

  1. Algumas coisas acabam saindo mais caras

Eu notei que, se quiser comprar alguns grãos a granel, por exemplo arroz e café, eles acabam saindo um pouco mais caros do que comprar em um supermercado de desconto. Então, as vezes deixo de comprar a granel para comprar no pacote. Infelizmente isso é algo que acabo fazendo para economizar um pouco mais.

Por outro lado, alguns produtos à granel saem mais baratos: castanhas, cacau, temperos, chás, feijões e sementes. Eu ainda não parei para analisar se o quanto eu economizo nesses produtos compensa pagar mais caros pelos grãos a granel e legumes orgânicos que compro.

Mas por enquanto minhas compras estão divididas entre supermercados que vendem à granel e supermercados comuns.

  1. Não consigo me adaptar ao copinho menstrual e ainda não investi bem em calcinhas menstruais

Se tem uma coisa que tenho muita vontade de usar já faz bastante tempo é o copinho menstrual. Só que já tem um tempo que tenho dois copinhos da Meluna e que falho miseravelmente ao tentar colocá-los. Eu sei que preciso perseverar mais nessa mudança porque absorventes são muito prejudiciais para o meio ambiente, além de caros.

Tentei utilizar absorventes de pano também, mas também ainda não consegui. São trabalhosos de lidar com toda a coisa de ter que botar de molho e ainda não dei mais chances para esse novo trabalho. Esse provavelmente é uma das áreas que tenho maior problema! E preciso trabalhar para mudar, afinal, ainda são pelo menos uns 20 anos de menstruação pela frente.

  1. Às vezes escolho conveniência

Da mesma forma que ainda utilizo absorventes descartáveis por conveniência, também compro algumas outras coisas por conveniência, especialmente se não me preparo com antecedência.

Quando estou na rua ou na faculdade e não levo nada para comer, ou um lanchinho para fazer, eu vou acabar comprando algo na rua. E isso me leva a comprar coisas industrializadas e, consequentemente, embaladas em plásticos.

Isso é uma coisa que tenho que pensar com mais carinho porque acontece frequentemente. Tento não me sentir mal por isso, afinal, se eu tiver fome ou sede, e precisar comprar algo, eu vou. Não há nada de errado nisso, mas um pouco de preparo da minha parte já me economizaria bastante lixo e dinheiro!

No final das contas, o que eu quero com esse post é dizer que é tudo um processo de aprendizado, entre erros e acertos. Infelizmente, nosso momento atual é de abundância e pouca consciência ambiental por parte da indústria, comércio e governo, e também por parte das pessoas a nossa volta. Ser resistência a isso não é fácil, mas é um caminho muito mais satisfatório, que começa com uma pessoa mas que tem o poder de se espalhar rapidamente.

O que você fez hoje para reduzir seu lixo?