O que eu aprendi com o Lixo Zero

lixo zero

Quando me mudei para Bruxelas e para um pequeno quarto de estudante, comecei a me importar com meu lixo. Antes, sabia da necessidade de reciclar, e só. Nunca havia parado para pensar em como eu posso recusar e reduzir antes de reciclar. Ou seja, não sabia que era possível querer uma vida com lixo zero.

Tudo começou com minha busca por como lidar com meu lixo por aqui. Quais sacos de lixo comprar e como separar meu lixo. Parar para pensar sobre isso me fez ver as minhas formas de consumo de maneira mais profunda. Eu finalmente percebi que reciclar não é suficiente.

Lixo zero

Pesquisando mais sobre lixo, eu encontrei o termo “zero waste”, ou em português, lixo zero. Esse termo é, claro, bem utópico. É impossível viver uma vida em nossa sociedade sem desperdício. Utilizamos água, energia, alimentos e produtos industrializados, utilizamos meios de transporte, saneamento básico, etc. É impossível mesmo.

Mas isso não quer dizer que não temos o poder de mudar algumas ações que levam esse objetivo em consideração. Afinal, enquanto consumidores, temos o poder de demanda. Se mais pessoas demandam por um jeito novo de consumir, mais as empresas de produtos e serviços precisam oferecer esse novo jeito. É a mesma forma com o veganismo.

Fazendo um balanço de como tem sido esses meses tentando diminuir meu impacto, eu tive sucessos e muitos erros. Isso é normal. Ao mesmo tempo em que eu almejo viver uma vida em sintonia com esses valores, eu cometo erros também. Entretanto, não deixo que essas erros destruam o tipo de vida que desejo para mim.

3 coisas que mudei para melhor depois de considerar uma vida “lixo zero”:

#1 Plásticos e papéis de “uso único” e descartável

Já parou para pensar na quantidade de papéis e plásticos descartáveis que você usa praticamente todos os dias?

Sacolinhas de supermercado, copos de café e copinhos plásticos de água no escritório. Novas garrafinhas de refrigerantes e água toda visita ao supermercado. Uso indiscriminado de post-its, guardanapos de papel, talheres de plásticos, canudinhos, etc etc.

São tantos os exemplos de produtos descartáveis que usamos. Desde que tomei consciência do meu uso, tenho trabalhado todos os dias para evitar esse tipo de desperdício. Uma das primeiras coisas que fiz foi comprar sacolinhas de algodão reutilizáveis para poder fazer compras usando sempre essas sacolinhas. Lavar, usar, e usar de novo e de novo, e lavar, e usar de novo.

Essa prática me economiza sacolinhas plásticas e dinheiro. Por que dinheiro? Porque compro produtos alimentícios soltos e frescos, ao invés de embalados naqueles plásticos horríveis. Sempre compro a quantidade que preciso, raramente precisando jogar comida fora, por exemplo.

Para evitar garrafas plásticas, adquiri uma garrafinha para levar minha água. Comprei também um copo de café para comprar café na rua, caso tenha necessidade. Copo de café nem todo mundo precisa, mas se você compra café na rua, ter seu próprio copo é importante!

#2 Produtos e roupas novas

Pensar sobre o impacto do meu consumo me fez também considerar produtos, roupas e sapatos de segunda mão. Desde que me mudei para a Europa, comprei várias coisas de segunda mão.

Já comprei bolsa e mochila de em lojas e mercados de pulga. Também adquiri uma bota e algumas blusas e calça jeans também, todos de segunda mão. Eu não compro mais roupa por comprar, mesmo de segunda mão. Decidi parar para pensar se realmente vou precisar daquele item. Muitas vezes o que eu quero mesmo é sair para me distrair.

No meu semestre na Áustria comprei uma bicicleta de segunda mão. E quando fiz estágio em Ghent, na Bélgica, durante o verão, também comprei. E todas foram vendidas para outros estudantes depois. Além de economizar dinheiro, itens de segunda mão vão para terceira ou quarta mão depois que você as utiliza!

#3 Produtos de limpeza e higiene

Nós não precisamos comprar um produto para cada coisa que queremos limpar. Um produto multiuso já serve para praticamente tudo o que você deseja limpar na sua casa.

Alternativas como bicarbonato de sódio e vinagre também podem ser usados para limpeza. Assim, você evita comprar mil e um produtos.

Um dos melhores investimentos que fiz foi o castile soap (sabonete de castela). É um sabonete multiuso que pode ser usado na casa e até no corpo e no cabelo.

Deixei de comprar sabonetes líquidos também, e só uso sabonete de de barra. Duram mais, são mais baratos, e normalmente vem embalados em caixinhas de papel, recicláveis.

3 problemas que ainda tenho ao tentar diminuir meu impacto

Algumas coisas acabam saindo mais caras

Eu notei que alguns grãos a granel, por exemplo arroz e café, saem mais caros do que comprar em supermercado. Então, às vezes deixo de comprar a granel para comprar no pacote. Infelizmente isso é algo que acabo fazendo para economizar mais.

Por outro lado, alguns produtos à granel saem mais baratos: castanhas, cacau, temperos, chás, feijões e sementes.

Não consigo me adaptar ao copinho menstrual e ainda não investi bem em calcinhas menstruais

Se tem uma coisa que tenho muita vontade de usar já faz bastante tempo é o copinho menstrual. Só que já tem um tempo que tenho dois copinhos da Meluna e que falho miseravelmente ao tentar colocá-los. Eu sei que preciso perseverar mais nessa mudança porque absorventes são muito prejudiciais para o meio ambiente, além de caros.

Tentei utilizar absorventes de pano também, mas também ainda não consegui. São trabalhosos de lidar com toda a coisa de ter que botar de molho e ainda não dei mais chances para esse novo trabalho. Esse provavelmente é uma das áreas que tenho maior problema! E preciso trabalhar para mudar, afinal, ainda são pelo menos uns 20 anos de menstruação pela frente.

Às vezes escolho conveniência

Da mesma forma que ainda utilizo absorventes descartáveis por conveniência, também compro algumas outras coisas por conveniência, especialmente se não me preparo com antecedência.

Quando estou na rua ou na faculdade e não levo nada para comer, ou um lanchinho para fazer, eu vou acabar comprando algo na rua. E isso me leva a comprar coisas industrializadas e, consequentemente, embaladas em plásticos.

Isso é uma coisa que tenho que pensar com mais carinho porque acontece frequentemente. Tento não me sentir mal por isso, afinal, se eu tiver fome ou sede, e precisar comprar algo, eu vou. Não há nada de errado nisso, mas um pouco de preparo da minha parte já me economizaria bastante lixo e dinheiro!

No final das contas, o que eu quero com esse post é dizer que é tudo um processo de aprendizado, entre erros e acertos. Infelizmente, nosso momento atual é de abundância e pouca consciência ambiental por parte da indústria, comércio e governo, e também por parte das pessoas a nossa volta. Ser resistência a isso não é fácil, mas é um caminho muito mais satisfatório, que começa com uma pessoa mas que tem o poder de se espalhar rapidamente.

O que você fez hoje para reduzir seu lixo?