Como você vende sua atenção na Internet?

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Ontem li o Onlife Manifesto, um manifesto que fala, entre outras coisas, dos impactos da ‘era computacional’ em nossas vidas privadas e públicas. O manifesto fala também da necessidade de melhores políticas para regulamentar o uso extensivo da Internet e de suas tecnologias em nossas vidas. Entre elas está o valor da atenção na Internet.

Um fato curioso lá pelo fim do texto foi a menção da ‘atenção’. Os autores citam algo que todos já sabem, mas poucos param para pensar: atenção é uma commodity, uma mercadoria. Como commodity, pode ser trocada e vendida. Nossa atenção é algo que tem valor no mercado.

Não se engane, a Internet não é o primeiro lugar em que atenção se tornou commodity. Além dela, temos a televisão, o rádio, os jornais impressos e o cinema. Todas essas formas de mídia transformam a nossa atenção em mercadoria para serem vendidas para empresas interessadas em fazer publicidade.

Em geral, quanto mais leitores compram e leem um jornal, por exemplo, mais eles podem vender “mais caro” por um espaço para publicidade. A mesma coisa ocorre no intervalo do final da Copa do Mundo. Toda a atenção do mundo está voltada para a tela, e por isso, colocar um comercial nesse intervalo não é barato. As empresas querem aproveitar toda essa atenção para fazer com que mais e mais pessoas conheçam seus produtos e soluções.

A diferença é que, com a Internet e suas tecnologias, ficou mais fácil comercializar nossa atenção.

Através da Internet, muito do que fazemos, de trabalho a diversão, de estudo à relacionamentos, é quantificado e analisado. Nossa atenção é meramente um instrumento. Como instrumento, as dimensões sociais e políticas da capacidade de prestar atenção são ignoradas.

” A habilidade e o direito de focar nossa própria atenção é uma condição crítica e necessária para autonomia, responsabilidade, reflexividade, pluralidade, presença, e senso de significado”.

Online Manifesto, 2014, p. 13, tradução

Por isso, é importante pensarmos sobre o papel da atenção nas plataformas que amamos. Como o YouTube recomenda vídeos? Como o Instagram escolhe publicidade? O que está por trás de aplicativos que somos viciados? E da Netflix? Pensar criticamente sobre como esses sites utilizam nossa atenção é um importante passo rumo à um uso mais consciente da Internet.

Lá para o final, os autores sugerem que a proteção da nossa atenção deveria ser um direito fundamental, tal como é nossa privacidade. Essa perspectiva mostra como a atenção é importante para nossas vidas. Sem atenção, não conseguimos trabalhar, aprender ou estudar. Por outro lado, quando plataformas prendem nossa atenção, ficamos suscetíveis ao consumo.

Atenção e minimalismo

Mas o que atenção tem a ver com minimalismo? O minimalismo é “uma ferramenta para liberar você dos excessos da vida em favor de focar no que é importante – para que você encontre felicidade, satisfação e liberdade” (The Minimalists).

Um importante fator do minimalismo é o foco. Em um mundo de excesso e de abundância, a habilidade de focar nos leva a mais autonomia.

Se você se considera uma pessoa consciente sobre seu consumo, tenha consciência também sobre como você usa a sua atenção. As duas coisas estão conectadas.

Eu fiz um artigo sobre 5 motivos para dar um tempo nas redes sociais. Ele foi feito para quem está pensando em dar um tempo em redes sociais.